Em um possível 2º turno entre Sergio Moro e Sandro Alex, a esquerda virá em peso contra o ex-juiz da Lava Jato.
A eleição para governador do Paraná em 2026 aparentemente reserva fortes emoções. Se, de um lado, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), tido por muitos como o melhor governador da história do Estado, inclusive com pesquisas mostrando sua aprovação acima de 85%, o que, pelo menos, em tese, deve ser uma forte alavanca para o nome de seu sucessor, indicado por ele, o pré-candidato Sandro Alex (PSD). Do outro lado da disputa, chama a atenção e liga o sinal de alerta não apenas no grupo de Ratinho Junior, mas também em Brasília, por questões e motivos diferentes, é claro.
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Sérgio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, apontado com ampla vantagem na disputa, segundo um levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira, 13, indica que o senador Sergio Moro registra entre 46% e 52,5% das intenções de voto. Lembrando que a pesquisa avaliou quatro cenários de primeiro turno com os nomes de Rafael Greca, Requião Filho, Alexandre Curi, Guto Silva, Tony Garcia e Luiz França. (O nome de Sandro Alex não participou da avaliação).
Apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, com pesquisa eleitoral da Quaest mostrando um possível segundo 2º turno: Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 40%. Moro, sem dúvida, tira o sono de Lula (PT). Enquanto juiz no âmbito da Operação Lava Jato, foi o responsável por condenar o petista a mais de 12 anos de prisão (Lula permaneceu 580 dias preso em uma cela da Polícia Federal (PF) em Curitiba). Junte ao fato de Moro, por esse motivo, constar na lista do atual presidente do Brasil como um inimigo. Tem ainda a questão de Flávio ser filho de Jair Bolsonaro (PL), outro inimigo declarado de Lula. Em simples palavras: Lula pode não só ver um dos estados mais importantes do país ser governado por Sérgio Moro, como também ver o Brasil ter como presidente o filho de um de seus maiores desafetos e, ambos se apoiado.
DIFERENTE DA DIREITA, A ESQUERDA QUASE NUNCA SOLTA A MÃO DO “COMPANHEIRO”
Ninguém no país é capaz de jogar um jogo como os partidos de esquerda jogam, em especial, o PT. Diante disso, não seria um devaneio imaginar que em “off”, suas lideranças já estejam trabalhando uma em prol de uma ampla mobilização contra Moro no Paraná. O que passaria por um apoio maciço ao candidato que poderá confrontá-lo em caso de um 2º turno, possivelmente Sandro Alex.
NÚMERO DE VOTOS EM LULA NO 2º TURNO DAS ELEIÇÕES DE 2022 PARA PRESIDENTE NO PARANÁ
Lula (PT) recebeu 37,6% dos votos válidos no Paraná em 2022. Foram 2.506.464 votos recebidos, 142.972 a mais que no 1º turno.
Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição, teve 4.159.266 votos – 62,40% dos votos válidos.
Ao olharmos estes números, poderíamos então deduzir que a vitória de Moro está consolidada? Não. Afinal, quem morre na véspera é peru e não as chances de um candidato ser eleito ou não.
A grande maioria destes 62,40% de votos conquistados por Jair Bolsonaro no Paraná em 2022 é também de eleitores de Ratinho Junior, que, como já informado, seu governo tem aprovação de cerca de 85% dos paranaenses. Portanto, cravar que todos eles irão deixar de votar no candidato apontado por ele não seria razoável. Ao contrário, a grande maioria dos eleitores paranaenses que votaram em Lula em 2022, em hipótese alguma votariam em Sérgio Moro, por razões óbvias e acima explicadas. Para ilustrar esta afirmação, fica a pergunta: Algum eleitor de Bolsonaro votaria em Alexandre de Moraes, caso esse fosse candidato?
A questão também é matemática e com números reais já definidos. Ou seja, do total de eleitores que votaram nesse ou naquele candidato. Não em números de pesquisa que, na realidade, não refletem a intenção de voto da totalidade de eleitores de um estado.
A campanha eleitoral, embora esteja em um momento de costuras de acordos, desenvolvimentos estratégicos e movimentação do tabuleiro político. Ela, de fato, só irá começar quando as “tropas” saírem às ruas, utilizarem espaços na mídia, seja na TV, jornais impressos, imprensa digital, redes sociais, rodas de amigos, almoço em família, “palanques” espalhados pelo Estado e os debates “cara a cara”.
Até 4 de outubro, dia em que acontece o 1º turno das eleições de 2026 e, caso seja necessário, no dia 25 de outubro, o 2º turno, muita água irá passar por debaixo da ponte. A única coisa que talvez dê para cravar é que: esta será uma das eleições mais emocionantes do Paraná.
Por Mauro Pretoriano/GC









