Tremor de magnitude 7,4 deixou 111 mortos e 87 feridos; equipes de resgate buscam sobrevivente.
Um forte terremoto matou 111 pessoas e deixou outras 87 feridas na Colômbia nesta segunda-feira, 10; segundo autoridades do Serviço Geológico do país, o sinistro foi classificado como “mais forte da década”.
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Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), o tremor teve magnitude de 7,4 e foi sentido em todo o país e em algumas partes do Panamá e do Equador, incluindo Pichincha, cuja capital é Quito. Moradores de Manaus, no Brasil, relataram nas redes sociais terem sentido os tremores.
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O abalo sísmico foi registrado durante a manhã, por volta das 7h34 no horário local e às 9h34 no horário de Brasília. Além do tremor principal, outros dois secundários foram registrados.
Conforme divulgado pelo Serviço Geológico Colombiano, a profundidade do tremor foi de 103 km, considerada intermediária.

O presidente Abelardo de la Espriella, que foi empossado na última sexta-feira, 7, declarou calamidade pública no país, o que concede a ele poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente as agências para lidar com a crise.
“Estou indo para Bogotá para me concentrar na atenção à emergência que nosso país enfrenta”, escreveu em suas redes sociais.
“Convoquei um Posto de Comando Unificado na UNGRD (Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres), de onde vou liderar pessoalmente os esforços para auxiliar as comunidades de Chocó, a Região Cafeeira e todas as áreas afetadas”, acrescentou.
O epicentro foi em um município montanhoso localizado na Cordilheira Ocidental: San José del Palmar. A cidade conta com uma população de cerca de 5.907 habitantes, conforme o Departamento Administrativo Nacional de Estatísticas. Os municípios mais próximos do epicentro são Pereira, Armênia e Manizales, capitais da chamada Região Cafeeira. Manizales e Pereira registraram os danos mais significativos até o momento.

Segundo informações divulgadas em redes sociais, vários prédios nas regiões de Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca, Manizales, Medellín, entre outros, foram evacuados como medida de precaução.
O número de mortos muda rapidamente, e governadores já confirmam vítimas em Risaralda, em Valle del Cauca, em Chocó (onde estava localizado o epicentro), em Caldas e no departamento de Antioquia.
Até a edição desta matéria, não havia confirmação de brasileiros entre as vítimas.
Alguns vídeos divulgados pela imprensa colombiana mostram prédios residenciais parcialmente destruídos em Pereira, localizada a cerca de 50 quilômetros do epicentro. No município, ao menos 18 pessoas teriam morrido, segundo afirmou o prefeito, Mauricio Salazar.
Uma das áreas mais afetadas pelo terremoto, em Cali, teve ao menos 20 prédios desmoronados, segundo o prefeito, Alejandro Éder.

Há três dias, a cidade recebeu líderes mundiais para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella e, agora, registra pelo menos 380 feridos e um sistema hospitalar em colapso.
“Quatro grandes instituições de saúde, com alta capacidade, tiveram que evacuar todos os seus pacientes”, afirmou a Secretaria de Saúde de Cali.
“É provável que nenhuma delas consiga reabrir nas próximas horas.” Unidades de saúde estão sendo avaliadas para determinar se podem continuar funcionando.

O prefeito de Manizales, Jorge Eduardo Rojas, informou que pelo menos duas pessoas morreram no terremoto na cidade, localizada a cerca de 100 quilômetros do epicentro.
Uma das torres da catedral da cidade, construída entre 1928 e 1939 e considerada um dos ícones arquitetônicos da região, desabou.
Ele acrescentou que “mais de 12 prédios” e “mais de 20 casas” foram total ou parcialmente destruídos, e relatou vazamentos de gás e eletricidade.
Segundo Rojas, a cidade mobilizou todos os seus recursos de resposta, mas “estamos sobrecarregados”.

Ele descreve a situação como “muito trágica e muito difícil” para a cidade.
Imagens mostram que uma das torres da catedral desabou.
“Acabamos de passar por um grave evento sísmico no departamento de Chocó”, disse a governadora Nubia Carolina Córdoba-Curi em sua conta no X.
“Estamos preocupados com os tremores secundários. Embora o epicentro tenha sido em San José del Palmar, na capital, Quibdó, há feridos e graves danos nas edificações. Já estamos realizando a avaliação dos danos para emitir o primeiro relatório oficial.”

Segundo a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres, não há ameaça de tsunami no Pacífico após este terremoto.
A Autoridade de Aeronáutica Civil confirmou à imprensa local que mais de dez aeroportos foram afetados pelo terremoto e as operações foram suspensas por sete deles.
“Os aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura foram afetados. Por razões de segurança, as operações aéreas nesses terminais permanecem suspensas até que os danos estruturais à infraestrutura possam ser avaliados”, informou a agência colombiana em seu primeiro comunicado oficial.
Outro comunicado, confirmou que os terminais aéreos do aeroporto de Cali também foram afetados e suas operações suspensas.

As autoridades recomendam que voos programados mantenham contato direto com suas companhias aéreas e não se desloquem aos aeroportos sem antes consultar os canais oficiais da Autoridade de Aeronáutica Civil.
Desde 1950, mais de 3.500 pessoas morreram por conta de terremotos na Colômbia. O mais mortal ocorreu em 1999, quando um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a Região Cafeeira, deixando 1.185 mortos.
AJUDA INTERNACIONAL
Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a se pronunciarem em solidariedade à Colômbia. Em uma mensagem no Twitter, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que “o governo Trump está acompanhando de perto o grande terremoto que atingiu a Colômbia”.

Rubio acrescentou ainda que o país “está preparado para apoiar o povo colombiano e o governo do presidente Abelardo de la Espriella”.
Também pelas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou “solidariedade”.
“O Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário”, escreveu.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum expressou solidariedade ao povo colombiano e ofereceu “todo o apoio que o povo da Colômbia precisar”.

“Estamos acompanhando de perto a situação, tanto por meio de nossa embaixada naquele país quanto por meio de nosso embaixador aqui.”
A Venezuela ofereceu ajuda humanitária e o Equador colocou à disposição resgatistas.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também ofereceu pessoal e equipamentos para os esforços de resgate após o terremoto.
“A Colômbia tem equipes de emergência e resgate nas áreas afetadas e confiamos em sua capacidade de responder a essa emergência”, afirmou em um comunicado à imprensa compartilhado por sua assessoria de imprensa nas redes sociais.

Ele acrescentou: “De El Salvador, estamos em contato e prontos para fornecer apoio imediato com nossas equipes de resgate, médicos, paramédicos, suprimentos ou qualquer outra assistência que nossos irmãos e irmãs colombianos considerem necessária”.
Após os terremotos ocorridos em junho, El Salvador enviou uma missão à Venezuela composta por 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos e suprimentos.
Europa: o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se solidarizaram com a Colômbia e ofereceram apoio.
Vídeo/Fotos: Reproduções/Colaborações



