A operação teve alcance nacional e foi realizada simultaneamente em 25 cidades de cinco estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás.
Uma das mais robustas ações recentes contra o crime organizado no país revela nomes do poder legislativo municipal de cidades do Paraná. A Operação Big Fish (Peixe Grande), conduzida pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), revela um esquema bilionário de exploração de jogos ilegais e lavagem de dinheiro, com atuação em vários estados e forte estrutura empresarial clandestina.
PUBLICIDADE
Entre os suspeitos de envolvimento, estão o vereador Marcelo Gaúcho, de Goioerê, e o presidente da Câmara Municipal de Cianorte, Victor Hugo Davanzo, ambos presos durante a operação.
CLIQUE E ASSISTA AO VÍDEO
Deflagrada na segunda-feira, 7, a operação seguiu também na terça-feira, 8, com nova fase sendo coordenada pela 17ª Subdivisão Policial de Apucarana e pela 21ª Subdivisão Policial de Cianorte visando desarticular completamente uma organização criminosa considerada altamente sofisticada, que operava há mais de uma década no Brasil.
EMPRESA DO CRIME
As investigações, estendidas por três anos, apontaram a existência de uma verdadeira “empresa do crime”, estruturada em núcleos bem definidos, incluindo setores de liderança, financeiro, tecnológico e operacional. O grupo surgiu a partir da fusão de duas das maiores organizações dedicadas à exploração de jogos ilegais no Brasil, uma com base no Paraná e outra em Goiás, esta última ligada a integrantes associados ao contraventor Carlinhos Cachoeira.
Segundo as autoridades, a organização mantinha milhares de pontos de exploração de jogos de azar espalhados pelo país, utilizando uma complexa engrenagem para garantir o funcionamento contínuo das atividades ilícitas. Para dar aparência legal aos lucros, o grupo criou empresas de fachada e também utilizou negócios legítimos para misturar recursos ilegais ao sistema financeiro formal.
LAVANDERIA
Um dos pontos mais relevantes da investigação foi a identificação de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Milhões de reais eram movimentados por meio de contas bancárias de “laranjas”, com operações sequenciais destinadas a dificultar o rastreamento dos valores. Ao todo, foram detectadas mais de 522 mil transações financeiras suspeitas, que somam aproximadamente R$ 2,1 bilhões.
A operação teve alcance nacional e foi realizada simultaneamente em 25 cidades de cinco estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás. Mais de 330 policiais civis participaram da ação, com aeronaves e helicópteros. Ao todo, foram expedidos 371 mandados judiciais, incluindo 85 prisões preventivas e mais de 100 mandados de busca e apreensão.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1,5 bilhão em contas bancárias. Também foram sequestrados 132 veículos de alto valor – incluindo modelos de luxo –, 111 imóveis e até rebanhos bovinos. O montante total de bens apreendidos ultrapassa R$ 43 milhões. Ainda como parte da operação, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.
SISTEMA DE TI
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de uma empresa de tecnologia da informação mantida pelo grupo. A estrutura era responsável pelo desenvolvimento e manutenção de plataformas digitais utilizadas para a exploração de jogos ilegais, como sistemas que operavam o jogo do bicho em diversos estados. Estima-se que essas plataformas eram utilizadas em pelo menos 14 unidades da federação, com mais de 15 mil pontos de operação.
A presença de agentes públicos entre os investigados reforça, segundo as autoridades, o grau de infiltração da organização criminosa em estruturas institucionais. A prisão de dois vereadores, sendo um deles presidente de Câmara, evidencia a preocupação com possíveis conexões entre o grupo e o poder público.
CÂMARA DE GOIOERÊ
Em Goioerê, o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Rafael, o ‘Joaquim da Ambulância’, informou que o Legislativo ainda não foi oficialmente notificado sobre a prisão do vereador Marcelo Gaúcho. Segundo ele, a Casa aguarda a comunicação formal para adotar as medidas legais cabíveis, com o apoio da procuradoria jurídica. Caso haja perda de mandato, o suplente Fabinho Gabeira deverá assumir a vaga.
Marcelo Gaúcho está em seu primeiro mandato em uma câmara composta por nove parlamentares. O caso deve ter desdobramentos tanto na esfera criminal quanto política, ampliando o impacto da operação.
CÂMARA DE CIANORTE
A Câmara Municipal de Cianorte também informou, por meio de nota, que não recebeu notificação oficial da Justiça a respeito da prisão do presidente do Poder Legislativo e aguarda os desdobramentos do caso.
As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas.
Fonte: MP-PR









