O deslocamento de grandes volumes de água e lama pelos vales da região foi provocado pelo colapso de parte de uma geleira.
Uma casa no Nepal, cercada por águas DA violenta e repentina inundação que atingiu o país na fronteira com o Tibete, serviu de refúgio para uma família que sobreviveu à fúria da natureza.
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As imagens são impressionantes e assustadoras. Hora dentro da casa, hora naquilo que seria uma varanda; familiares se revezavam, talvez, esperando apenas o momento de serem levados pela forte correnteza provocada pela inundação.
Mas, quando não é a hora, não adianta. A família permaneceu unida e segura dentro do seu lar. Apesar de as estruturas de construções próximas terem sido varridas do local, o bom e velho prédio permaneceu em pé, abrigando seus moradores como se fosse uma armadura, protegendo o guerreiro durante uma batalha. No final, mesmo diante do enfrentamento brutal entre a força destrutível da natureza e o edifício, o herói de concreto aguentou firme, sofreu poucos danos visíveis e cumpriu sua maior missão desde que foi construído: abrigou e mantive viva aquela família.
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MORTOS E DESAPARECIDOS
Atualização sobre mortos e desaparecidos mostra que 552 corpos foram encontrados no Nepal e cinco no território tibetano, na China. Outras 1,5 mil estão desaparecidas, entre eles, turistas e peregrinos indianos, americanos e britânicos, além de trabalhadores que estavam na região.

TRAGÉDIA
A tragédia iniciou na última quarta-feira, 26, após o colapso de parte de uma geleira provocar o deslocamento de grandes volumes de água e lama pelos vales da região. A intensa força da inundação também causou deslizamentos de terra e destruiu estruturas, estradas e acampamentos.
Milhares de integrantes das equipes de emergência seguem trabalhando na tentativa de localizar sobreviventes e recuperar corpos. As operações ocorrem em condições consideradas de risco por conta das condições meteorológicas e possibilidade de novas inundações.

TRABALHADORES EM PERIGO
O Exército do Nepal tenta localizar e retirar cerca de 100 trabalhadores que ficaram presos em um túnel de uma obra de construção de uma usina hidrelétrica.
Segundo os serviços do primeiro-ministro nepalês, cerca de 350 trabalhadores e moradores já haviam sido resgatados. As equipes enfrentaram dificuldades causadas pela cheia do rio e das condições climáticas.
O porta-voz do Exército, Raja Ram Basnet, afirmou que a prioridade continua sendo localizar e resgatar as pessoas desaparecidas. Centros de acolhimento também foram instalados para receber os moradores afetados.

TURISTAS E PEREGRINOS DESAPARECIDOS
A região atingida pelo desastre é frequentada por turistas, peregrinos e montanhistas. O Himalaia recebe visitantes de diversos países, inclusive pessoas que viajam para áreas religiosas no Tibete.
Uma peregrina indiana, Sivaranjani Muthunathan, de 46 anos, relatou que participava de uma viagem religiosa ao monte Kailash. Segundo ela, dois dos três ônibus que transportavam um grupo de 57 pessoas foram atingidos pela enxurrada.
Ela contou que os passageiros conseguiram deixar um dos veículos e buscar abrigo em uma área acima da estrada. As pessoas que estavam nos outros ônibus desapareceram.

CORPOS ENCONTRADOS RIO ABAIXO
A força da inundação fez com que vítimas fossem levadas para áreas distantes do local atingido. Autoridades do estado indiano de Uttar Pradesh informaram que sete corpos foram encontrados a dezenas de quilômetros rio abaixo.
Os corpos serão submetidos a procedimentos para confirmação das identidades e para verificar se as vítimas estavam entre as pessoas desaparecidas após a enxurrada.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira. O evento teve força suficiente para ser registrado como um tremor de magnitude 5,2 e provocou vários deslizamentos de terra.

A tragédia é considerada a mais mortal registrada no Nepal de 2015, que deixou cerca de 9 mil pessoas mortas. Em 1993, enchente no país teriam provocado 1.300 mortes.
As inundações e os deslizamentos são frequentes durante o período de monções no Nepal, no Tibete e em outras regiões do sul da Ásia. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas aumentam intensidade e a frequência desse tipo de fenômeno.




