Presos desde novembro, Virgílio Filho e André Fidélis do INSS delataram Fábio Luís da Silva, o Lulinha.
Dois ex-servidores do alto escalão do INSS estão em processo avançado de delação premiada. O ex-procurador do INSS, Virgílio de Oliveira Filho, e o ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidélis, entregaram o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, e ainda delataram o envolvimento de políticos no esquema. Em nota à coluna, a defesa de Lulinha afirma que ele “não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”. É a primeira vez que ele comenta sobre o tema por meio de advogados constituídos.
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Entre os políticos delatados estaria Flávia Péres (ex-Flávia Arruda), que foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Jair Bolsonaro. É a primeira vez que o nome dela aparece associado ao esquema. Flávia é esposa do economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário mineiro Daniel Vorcaro. Flávia nega qualquer relação com os fatos.
A PF acusa Virgílio Filho de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que faziam os descontos ilegais nas aposentadorias. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam vindo de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Os repasses teriam sido enviados a empresas e contas bancárias da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson. Segundo os investigadores, André Fidélis teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024.
Como mostrado na coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, o próprio Careca do INSS também prepara uma proposta de delação premiada. A disposição dele em delatar cresceu após familiares do empresário virarem alvo das investigações, como o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa, Tânia Carvalho dos Santos. Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso. Izabella Borges, advogada que representa Virgílio Oliveira Filho, negou que exista delação em andamento.
QUEM SÃO VIRGÍLIO FILHO E ANDRÉ FIDÉLIS NA FARRA DO INSS?
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho era servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e exerceu o cargo de procurador do INSS. Em novembro passado, ele se entregou à Polícia Federal em Curitiba (PR), após ter um mandado de prisão expedido contra si na 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS. A mulher dele, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi presa.
Em outubro de 2023, quando ainda estava no INSS, Virgílio Filho manifestou-se favoravelmente aos descontos nos benefícios de 34.487 aposentados, em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A Polícia Federal acusa Virgílio de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que fraudaram o INSS. Desse montante, pelo menos R$ 7,5 milhões vieram de firmas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF também identificou um aumento patrimonial de Virgílio da ordem de R$ 18,3 milhões.
Como mostrou a coluna, as aquisições do procurador e de sua mulher incluíram um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba, comprado após ele se tornar alvo da PF. A mulher dele chegou a reservar um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC).
André Fidelis foi diretor de Benefícios do INSS em 2023 e 2024. Ele é acusado de receber pagamentos das entidades para permitir os descontos automáticos na folha dos aposentados.
Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.
Foto: Ilustração – Fonte: Andressa Matais/Metrópoles









