Sítio arqueológico Olmeca na costa de Vera Cruz, no México, indica que povos pré-olmecas já preparavam o cacau em 1750 a.C.
O cacaueiro, ou Theobroma Cacao (nome científico), é a árvore perenifólia que dá origem ao fruto chamado cacau e pertence à família Malvaceae. O cacaueiro tem seu centro de origem nas cabeceiras da chuvosa Bacia do rio Amazonas, na América do Sul.
PUBLICIDADE
Em ambientes sombreados de floresta e sem poda humana, sua altura pode chegar a 20 metros. Em condições de cultivo, no entanto, recomenda-se manter sua altura entre 3 a 5 metros.
O cacau é a principal matéria-prima do chocolate, feito por meio da torra e moagem das suas amêndoas secas, em processo industrial ou caseiro. Outros subprodutos do cacau incluem sua polpa, geleia, suco destilado fino, sorvetes e mel de cacau.
CLIQUE E ASSISTA AO VÍDEO
A civilização Maia e mexicana (principalmente a Asteca), de mesma raiz, possuía dois vocábulos (kab e kaj) que, numa mesma palavra, formavam a expressão suco amargo picante (kabkaj), um sabor bastante apimentado. Conforme historiadores e desenvolvedores da geografia, como foi Américo Vespúcio, do Novo Mundo, o nome atual foi praticamente dado por Cristóvão Colombo, apreciador do chocolate com gosto apimentado, e foi um dos primeiros a levar o conhecimento ao Velho Mundo, espalhando a planta, por onde andava. Assim, a bebida originada deste suco era nomeada de kabkjatl (segundo Cristóvão Colombo, onde as três últimas letras desta palavra significavam “líquido”). Os espanhóis colonizadores tinham dificuldades de pronunciar a palavra e sempre colocavam um hu nas palavras dos índios mexicanos. Desta maneira, a palavra acabou transformando-se em kabkajuatl e, futuramente, pela ação popular, em cacauatl.

A cacauatl foi modificada pelos espanhóis, passando a ser tomada quente e com leite e açúcar, basicamente, uma vez que se juntaram muitos outros produtos para retirar o gosto apimentado, que nem sempre é apreciado pelo consumidor comum. Recebeu, então, um novo nome: chacauhaa (chacau = quente; haa = bebida). Depois, houve confusão entre as palavras, das bebidas quente e fria, dando origem à palavra “chocolate”.

O cacau é originário da bacia hidrográfica do rio Amazonas, tendo sido posteriormente dispersado para as regiões tropicais da América Central e do Norte.

Para as civilizações mesoamericanas pré-colombianas, as sementes do cacau constituíam uma bebida ritualística e uma moeda de troca de alto valor comercial. Recipientes de cerâmica com resíduos da preparação do cacau foram descobertos em sítios arqueológicos datados do Período Formativo (1900-900 a.C.). Por exemplo, um achado desse tipo em um sítio arqueológico Olmeca na costa de Vera Cruz, no México, indica que povos pré-olmecas já preparavam o cacau em 1750 a.C.

O chocolate (chocolatl), em língua náuatle) era uma bebida de sabor amargo, preparada a partir das sementes torradas e moídas misturadas com água. Registros relatam a bebida como sendo muito consumida pela nobreza do Império Asteca, que requisitava sementes de cacau como parte do tributo cobrado de populações subjugadas. Como a bebida nessa forma toma um sabor amargo, era comum que se misturassem outros ingredientes durante o preparo, incluindo flores, mel, pimenta e baunilha, mascarando o amargor e mudando a cor do líquido de branca para laranja, vermelha ou amarronzada.

No Brasil, ele foi cultivado primeiramente na Amazônia, onde já existia em estado natural. Depois, pelo rio Amazonas, passou para o Pará e, pelo mar, chegou finalmente à Bahia, onde melhor se adaptou ao solo e ao ambiente marinho, e causou o chamado “boom” da década de 1930, durante o Ciclo do cacau.

A casca é rica em antioxidantes, pectina e minerais, sendo isenta de lactose, açúcar, glúten e cafeína. Pode ser usada na alimentação (tanto humana quanto animal), na produção de adsorventes, fertilizantes orgânicos, dentre outros produtos.

A casca também tem uso medicinal fitoterápico. Suas folhas são comestíveis (PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais) e são consumidas em comunidades quilombolas, como o quilombo Batateiras em Cairu, na Bahia.
Fotos: Reprodução








