Em meios a escândalos, Dina Boluarte apresentava indices de aprovação entre 2% a 4% e queda era inevitável.
O Congresso do Peru aprovou, na madrugada desta sexta-feira, 10, a destituição da presidente Dina Boluarte por “incapacidade moral permanente”. A decisão foi tomada por ampla maioria.
O Legislativo peruano acelerou o processo de impeachment e convocou Boluarte para apresentar defesa na noite de quinta, 9, no entanto, a presidente se recusou, chamando o procedimento de “inconstitucional”. Mesmo sem a presença dela, o Congresso votou a destituição.
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O resultado foi praticamente unânime: 118 votos a favor, nenhum contra e nenhuma abstenção. Após a votação, o presidente do Congresso, José Jerí, advogado de 38 anos e membro do partido Somos Perú, foi empossado como novo chefe de Estado.
Ele comandará o país até as eleições previstas para abril de 2026 e a posse do próximo presidente, marcada para 28 de julho do mesmo ano. A mudança encerra cerca de três anos de um governo marcado por escândalos de corrupção, protestos e uma grave crise de segurança.
CRISE DE SEGURANÇA
O ponto final para o governo Boluarte foi o agravamento da violência no país. A destituição ocorreu horas após um ataque a tiros durante um show em Lima. Quatro artistas foram baleados, em um episódio que acelerou a decisão do Congresso, segundo o jornal New York Times.
As moções de impeachment foram apresentadas por partidos de direita e de centro, incluindo o Força Popular, de Keiko Fujimori, e o Renovação Popular, liderado pelo prefeito de Lima, Rafael López Aliaga. Ambos haviam apoiado Boluarte anteriormente.
Nos últimos meses, o Peru enfrentou um aumento recorde nos casos de extorsão e assassinatos por encomenda. Dados da Polícia Nacional apontam que os registros de extorsão saltaram de algumas centenas em 2017 para mais de 2.000 por mês em 2025.
GOVERNO IMPOPULAR
Boluarte assumiu o poder em dezembro de 2022, após o autogolpe fracassado de Pedro Castillo em 2021, que levou à distituição e prisão no ano seguinta. Desde então, ela sobreviveu a sete tentativas de impeachment antes da decisão desta sexta-feira.
A relação de Boluarte com a comunidade internacional também foi marcada por conflitos. Ela rompeu com os governos de México, Colômbia e Honduras, e ignorou ordens da Comissão Internacional dos Direitos Humanos.
Foto: Reprodução









