O inocente morreu dentro da própria casa pedindo para a esposa chamar a polícia – 18 policiais foram afastados.
Em uma ação desastrosa da Brigada Militar (Polícia Militar) do Rio Grande do Sul, no interior de Pelotas, deixou um agricultor, Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, morto e a família traumatizada, na madrugada do último dia 15. O caso, que gerou forte indignação, resultou no afastamento de 18 policiais militares e na abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) e de uma investigação pela Polícia Civil.
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Reconhecida como uma das mais atuantes polícias no enfrentamento ao crime, desta vez a BM escreve um capítulo vexatório, nebuloso e covarde em sua história. Que fique claro que a instituição, apesar de responder por seus comandados, com certeza não representa tamanha agressão à sociedade gaúcha, em especial a esta família, por parte de policiais que envergonham e sujam a farda da BM.
Invadir a casa de uma família de agricultores, tocar o terror e fuzilar um pai de família não é coisa de polícia, mas sim, de bandidos. Principalmente quando esta invasão se dá de madrugada, sem ao menos se identificar como policiais.
Vídeo gravado pelo repórter Marrone Silva mostra como ficou a residência do produtor rural que morreu após uma ação policial desastrosa em Pelotas (RS). Nas imagens, é possível ver o cenário deixado após a violenta operação que deixou marcas visíveis da intervenção realizada no local.
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Vídeo: @marronegsilva

O registro no grande trabalho do repórter reforça a gravidade do ocorrido e evidencia os impactos da ação que resultou na morte do inocente agricultor. O caso segue gerando forte repercussão e questionamentos sobre a condução da operação.
O “MAL-ENTENDIO” QUE CUSTO A VIDA DE UM INOCENTE
O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, classificou o episódio como uma “colisão de percepções”. De um lado, o agricultor acreditou que sua casa estava sendo invadida por criminosos; de outro, os policiais entenderam que estavam sofrendo uma agressão de membros de uma facção.
No entanto, o comandante confirmou que nada do que foi informado pelos criminosos presos no Paraná se confirmou na propriedade de Nornberg. Não foram encontrados veículos roubados ou armas da facção, apenas a arma do próprio agricultor, usada para defesa.
ORIGEM DA OPERAÇÃO: INFORMAÇÃO DE CRIMINOSOS
A ação foi motivada por um informe vindo da Polícia Militar do Paraná. Dois homens presos naquele estado, suspeitos de um roubo ocorrido na terça-feira, 13, forneceram detalhes minuciosos e o georreferenciamento da propriedade de Marcos, indicando que o local servia de depósito para armas e veículos roubados.
Apesar da “precisão” das coordenadas, a investigação agora aponta que os policiais foram induzidos ao erro pelos delinquentes. O corregedor-geral da BM, Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, afirmou que a urgência da averiguação e o teor da denúncia (presença de facção armada) motivaram a entrada tática na residência às 3h da manhã, horário que também será objeto de análise no inquérito.
VIÚVA RELATA TERROR
Raquel Noremberg, esposa da vítima, descreve momentos de horror. Segundo ela, o casal acordou com o barulho dos cães e homens na janela. “A gente achou que era bandido”, relata. Marcos pegou uma arma de fogo e, em segundos, a porta foi arrombada e os disparos começaram.
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Créditos: Rio Grande Record/ Reportagem: Marrone Silva

Após o marido ser atingido, Raquel afirma ter sido submetida a humilhações pelos agentes. “Eles me colocaram de joelhos sobre cacos de vidro. Debocharam de mim, abriram meu roupão e questionavam nossos nomes, dizendo que não eram aqueles”, desabafou. Ela afirma que só percebeu serem policiais pelos uniformes após os tiros, mas a truculência a fez duvidar da legitimidade da ação no momento.
INVESTIGAÇÃO, PROVIDÊNCIA (AFASTAMENTO): Todos os 18 policiais envolvidos foram afastados das funções operacionais.
PERÍCIA: As armas dos agentes e do produtor foram apreendidas. Câmeras de monitoramento local serão analisadas.
POLÍCIA CIVIL: A Delegacia de Homicídios de Pelotas investiga o caso. O delegado César Nogueira afirmou que a PC não tinha conhecimento prévio da operação e estranhou o aparato “incomum” utilizado.
Fotos: Reproduções – Informações: Correio do Povo/G1









