A lenda da música country americana marcou gerações, em vida, deixará milhões de órfãos em todo o mundo.
Primeiro, é preciso dizer que o country americano e sertanejo raiz brasileiro, comprovadamente podem ser descritos como gêneros musicais irmãos com raízes semelhantes, compartilhando temas como a vida no campo e o amor e as coisas simples de vida. Não à toa, no Brasil o country está presente nas maiores festas que envolve o agronegócio e o rodeio nacional, tocado por DJs que acompanham locutores de rodeio nos quatro cantos do país.
PUBLICIDADE
Além de utilizar instrumentos musicais semelhantes, como violão, gaita, banjo e outros. O sertanejo é o som brasileiro, com letras e melodias que refletem a cultura nacional. Já o country é a música americana, com suas próprias raízes e narrativas.
Ao longo do tempo, o sertanejo se transformou, misturando a música caipira com outros estilos e, mais recentemente, com o pop. Enquanto, o country americano, embora também tenha evoluído, manteve-se mais fiel às suas origens tradicionais. Ambos surgiram de influências musicais rurais e folclóricas.
Considerado um ícone da música country, o cantor encerra sua trajetória nos palcos após décadas de sucesso empilhando hits eternos que embalaram gerações.

Ao lado de grandes nomes do gênero, Alan Jackson anunciou oficialmente na revista People, aquele que será o último show de sua carreira, intitulado “Last Call: One More for the Road – The Finale”. O evento está marcado para o dia 27 de junho de 2026, no Nissan Stadium, em Nashville (EUA), considerada a capital mundial da música country. O show irá marcar o final de uma jornada musical que atravessou mais de três décadas de sucesso, influenciando gerações inteiras de artistas.
Alan Jackson, de 66 anos, reunirá uma constelação em seu espetáculo de despedida. Nomes como Luke Bryan, Jon Pardi, Luke Combs, Cody Johnson, Eric Church, Carrie Underwood, Keith Urban, Miranda Lambert, Lee Ann Womack e Riley Green já foram confirmados, e outros nomes devem ser anunciados em breve. O evento será a celebração da música country tradicional, estilo que Jackson ajudou a manter-se vivo em meio à modernização do gênero.
À People, o cantor afirmou: “Foi uma longa jornada, e ela me levou a lugares que eu nunca imaginei.” Jackson ainda revelou que um dólar de cada ingresso vendido será destinado à CMT Research Foundation, entidade que financia pesquisas para a cura da doença de Charcot-Marie-Tooth, enfermidade neurológica rara que o artista enfrenta há vários anos.
Alan Jackson, em setembro de 2021, tornou público seu diagnóstico, revelando que convivia com a doença havia cerca de 10 anos. O cantor explicou que os sintomas, como dificuldade de locomoção e perda de equilíbrio, começaram a afetar as apresentações realizadas ao vivo e que isso o motivou a informar a situação aos fãs.

“Não quero que pensem que estou bêbado no palco, porque tenho problemas de mobilidade e equilíbrio. Tenho uma neuropatia hereditária, que herdei do meu pai”, declarou na época. “Não é uma doença fatal, mas acaba me incapacitando aos poucos.” A doença de Charcot-Marie-Tooth (CMT) é uma condição degenerativa que afeta os nervos periféricos, responsáveis pelo controle muscular e sensibilidade. Embora a medicina ainda não apresente cura, ela pode ser tratada por meio de fisioterapia e acompanhamento médico, o que permite ao paciente uma certa qualidade de vida.
INÍCIO DA CARREIRA
Nos anos 1980, Alan Eugene Jackson, nascido em 17 de outubro de 1958, em Newnan, na Geórgia, se destacou como um dos maiores representantes do country neotradicional. Inspirado por George Jones e Merle Haggard, manteve sempre o som clássico em suas produções, mesmo em tempos de experimentações pop no gênero.
Em Nashville, sua história começou em 1987, quando mudou-se com a esposa Denise Jackson, que foi de fundamental importância apresentando o marido ao empresário de Glen Campbell. Dois anos mais tardes, Alan assinava com a Arista Nashville, se tornando o primeiro artista da gravadora.

O sucesso não demorou a acontecer, veio rapidamente com o álbum “Here in the Real World” lançado em 1990, que incluiu os hits “Wanted” e “Chasin’ That Neon Rainbow”. No entanto, foi com músicas como “Chattahoochee”, 1992, “Don’t Rock the Jukebox” 1991, e “Where Were You (When The World Stopped Turning)”, esta última, lançada em 2002, escrita após os atentados às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, em Nova York.
Durante sua trajetória de sucesso, Jackson lançou mais de 20 álbuns de estúdio e emplacou nada menos que 26 músicas no topo das paradas da Billboard Country. Recebeu dois Grammys, 16 prêmios da CMA (Country Music Association) e foi introduzido no Grand Ole Opry em 1991, um dos maiores reconhecimentos possíveis para um artista country.
Alan Jackson foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 2010 e incluído no Hall da Fama da Música da Geórgia em 2001. Seu álbum gospel “Precious Memories” 2006 e seu projeto “Drive”, inspirado em lembranças com o pai e as filhas, mostram o lado mais emocional e espiritual de sua obra, tornando o artista ainda mais querido pelo público.
Com a turnê “Last Call” iniciada em 2022, ele percorreu os Estados Unidos como uma celebração da carreira e da autenticidade de um artista que nunca se afastou de suas raízes.

Ao anunciar o show final de sua carreira, fãs espalhados por todo o mundo já estão se preparando para esse momento histórico da música country. Não será apenas uma despedida, mas uma espécie de homenagem ao talento, à força, à fé e perseverança de um homem que foi capaz de transformar a sua dor em alegria durante seus shows, em amor e em arte.
“Não quero que sintam pena de mim, quero que se lembrem das boas músicas, das histórias e dos momentos que compartilhamos”, afirmou Alan Jackson numa de suas últimas entrevistas.
Ao final de sua turnê em 2026, Alan Jackson não só irá se despedir dos palcos como um símbolo da tradicional da música country americana, mas também deixará o legado imortal de honestidade, amor, emoção e paixão pela música que embalou e irá continuar embalando milhões de corações, mundo afora.
Foto: Reproduções – Por Mauro Pretoriano/GC









