O prefeito de Assis Chateaubriand, presidente da AMP e peça importante desde o início do atual governo do Estado, pode seguir rumo ao PSD.
Prestes a renunciar ao cargo, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), atualmente pré-candidato à presidência da República, deve, nas próximas horas, ou no mais tardar, dias, anunciar a sua renúncia visando a campanha eleitoral à presidência da República nas eleições de 2026.
Embora o comando do Estado siga nas mãos do PSD, com o vice-governador Darci Piana assumindo o governo. O tabuleiro político no Estado deve ter muitas peças mexidas, inclusive, com algumas delas, mudando literalmente de casas.
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Uma destas importantes peças desse xadrez político é Marcel Micheletto, que até a edição dessa matéria ainda contava como político filiado ao Partido Liberal (PL), o mesmo do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, e Flávio Bolsonaro, o último, inclusive, candidato indicado pelo próprio Jair Bolsonaro.

Micheletto, que exerce seu terceiro mandato como prefeito de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, é o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Além disso, por duas vezes, foi eleito deputado estadual, em uma delas, sendo o mais votado no Oeste do Estado, ocupando, inclusive, importantes cargos dentro do próprio governo de Ratinho Junior, assumindo a liderança do governo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e a Secretaria de Estado da Administração e Previdência do Paraná – Marcel faz parte desde o início do projeto do atual governo paranaense.
RENÚNCIA AO CARGO DE DEPUTADO
Ao abrir mão do cargo de deputado estadual, retornar à sua casa (Assis Chateaubriand) e disputar as eleições municipais para prefeito, da qual saiu vencedor, em 2024, o então candidato dizia que só deixaria o cargo caso fosse eleito, se o governador, no futuro, precisasse dele para algo de maior relevância. Ratinho Junior, na época da campanha eleitoral para prefeito, em apoio a Marcel Micheletto, visitou a Cidade Morada Amiga e, em seu discurso, disse: “Vocês me emprestaram o Marcel, agora eu estou devolvendo-o. Mas, mais para frente, irei precisar dele novamente”, disse. “Eu serei o deputado que Assis Chateaubriand e Marcel Micheletto vão precisar”, completou o governador.
A HORA CHEGOU E O JOGO JÁ COMEÇOU
Em breve, Ratinho Junior irá anunciar que está renunciando ao cargo de governador do Paraná para, legalmente, estar apto a oficializar sua candidatura à presidência da República e sair em campanha pelo Brasil. A árdua missão envolve uma série de questões e estratégias, desde costura política, apoio de setores importantes da economia, como também da sociedade. Diante de um país com dimensões continentais, a agenda deverá ser corrida, onde cada minuto não poderá ser desperdiçado e cada peça do xadrez citado anteriormente melhor aproveitada, em especial, no que se refere a lideranças estaduais espalhadas pelo Brasil.
Eis que, nesse contexto, o nome e a posição ocupada por Marcel Micheletto possuem fundamental relevância. Segundo fontes extraoficiais, na semana passada, dos 399 municípios paranaenses, apenas 3 ou 4 prefeitos ainda não haviam confirmado apoio ao atual governador do Paraná, tanto na esfera da campanha nacional à presidência, quanto em relação à eleição para o governo do Estado na qual Ratinho Junior tentará eleger seu sucessor, enfrentando o bem cotado, Sérgio Moro, que irá oficializar sua filiação ao PL nesta terça-feira, 24. Lembrando mais uma vez que Micheletto é o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e, possivelmente, há tempos vem trabalhando esse apoio maciço nos bastidores.

Mas, o peso político de Marcel Micheletto vai além. Com a capacidade de articulação e de transitar entre os extremos da chamada polarização, o político que, assim como o próprio Ratinho Junior, tem sua filosofia voltada a criar projetos, operacionalizar recursos e colocar o “carro para andar”. Não à toa, o Paraná tornou-se um canteiro de obras e, nesse sentido, Assis Chateaubriand está prestes a ser “virada ao avesso” por conta de projetos grandiosos e à frente do tempo que serão executados no município.
Diante disso, ao que tudo indica, em breve, o chefe do Executivo chateaubriandense terá que licenciar-se do cargo e colocar-se à disposição daquele que o ajudou a dar início à transformação da Cidade Morada Amiga, que, como o prometido no período de campanha, tornou-se “seu deputado”, liberando recursos milionários, que, ao todo, já chegam à casa dos R$ 800 milhões, o governador Ratinho Junior.
Como seria insano imaginar que o “Cacique” do PL, Valdemar Costa Netto, irá liberar políticos filiados ao partido a apoiar governadores de seus estados, pertencentes a outros partidos na corrida presidencial contra o representante do próprio PL, Flávio Bolsonaro. A tendência é que Marcel Micheletto siga para o PSD (Partido Social Democrático), liderado por Gilberto Kassab.
Até lá, o que resta é ficar atento ao movimento, afinal, a cada nova mexida no tabuleiro, um novo final de jogo pode surgir.
Por Mauro Pretoriano/GC
Fotos: Reproduções









