Uma mulher também foi morta e a mãe do atleta ficou ferida – dois suspeitos foram presos.
Imagens de câmera de segurança registraram o momento em que o jogador de futebol Mario Pineida foi morto a tiros na última quarta-feira, 17, no Equador. O atleta estava em um açougue quando foi surpreendido por dois homens armados.
PUBLICIDADE
Segundo as informações da imprensa local, a esposa de Pineida, Guisella Fernández, também foi morta no ataque, enquanto a mãe do atleta foi baleada, socorrida e levada ao hospital. O vídeo mostra o momento em que os suspeitos chegam ao local e disparam contra Pineida e a mulher.
CLIQUE E ASSISTA AO VÍDEO
O Ministério do Interior do Equador confirmou o crime e informou que uma unidade policial especializada assumiu as investigações. Até a última atualização, não havia informações sobre prisões ou motivação do ataque.
Mario Pineida, de 33 anos, jogou pelo Fluminense do Rio de Janeiro em 2022. Ele também defendeu a seleção equatoriana nas Eliminatórias para as Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar. Atualmente, o jogador estava no Barcelona de Guayaquil, clube sediado em uma das regiões mais afetadas pela violência ligada ao tráfico de drogas no país.

CRISE SOCIAL E AUMENTO DA CRIMINALIDADE NO PAÍS
O Equador vive uma crise social. E o futebol exemplifica isso: em campo, os clubes e a seleção exibem boas fases no continente. Fora dele, a rotina de jogadores passou a incluir ameaças, atentados e pedidos por proteção policial.
O futebol se tornou a janela para entender um grave problema que atravessa segurança pública, política, economia e crime organizado. Em 2025, já foram registradas 4 mortes de atletas profissionais de futebol no Equador.
O assassinato de Jonathan “Speedy” González, do “22 de Julio”, marcou um dos episódios mais diretos dessa ligação. Speedy foi morto dentro de casa. Nove dias antes, havia recebido uma ordem para perder uma partida, vinda de intermediários de apostas ilegais. O carro do atleta foi alvo de disparos duas semanas antes do crime final, e sua mãe recebeu ameaças telefônicas.
Dias depois, Maicol Valencia e Leandro Yépez, jogadores do Exapromo Costa, foram mortos em um hotel, no dia em que foram apresentados ao clube. Homens vestidos como policiais abriram fogo contra o grupo hospedado, mas Yépez morreu no hospital após o ataque. A polícia informou que o jogador foi vítima colateral, ou seja, não era o alvo da ação criminosa, mas o caso reforçou a sensação de vulnerabilidade no futebol local.
Em novembro, Miguel Nazareno, de 16 anos, atleta da base do Independiente del Valle, foi encontrado morto em Guayaquil. O clube afirmou que o jovem foi vítima da insegurança generalizada.
Na quarta-feira, 17, o lateral Mario Pineida, atual jogador do Barcelona de Guayaquil e ex-Fluminense, foi assassinado em frente a um açougue no bairro de Sanales. Sua esposa também morreu no ataque, e a mãe do jogador ficou ferida. Horas antes, Pineida havia pedido proteção especial ao clube por estar recebendo ameaças de morte.

A violência não se limitou a casos fatais. Bryan Angulo, atacante da LDU Portoviejo e ex-Santos, recentemente sofreu um atentado ao chegar para treinar. O clube afirmou que vários jogadores haviam recebido ameaças relacionadas à partida contra o Búhos, pela segunda divisão. Diante do episódio, a equipe pediu que o jogo fosse remarcado para um local seguro, reforçando o temor que acompanha atletas e comissões técnicas.
Em 2024, jogadores do Chacaritas foram obrigados a deitar no chão sob a mira de armas. O vídeo, que circulou amplamente, mostrava homens armados pressionando o elenco a entregar partidas em um esquema de apostas ilegais. Ainda na mesma temporada, um dirigente do clube relatou ter recebido uma oferta de 20 mil dólares para perder um jogo. A liga equatoriana identificou manipulação em pelo menos cinco partidas da segunda divisão.
Alvos frequentes, atletas de divisões inferiores enfrentam maior vulnerabilidade. Salários baixos, pouca estrutura e menor proteção institucional tornam os jogadores mais suscetíveis a ameaças. A combinação entre intimidação e ausência de garantias cria um ambiente em que a recusa pode custar a própria vida.
Um relatório da ONU alerta para o uso do futebol como instrumento de lavagem de dinheiro no universo das apostas esportivas ilegais. Estimativas internacionais apontam que elas movimentam cerca de 1,7 trilhão de dólares por ano.
No Equador, clubes passam por investigações que incluem suspeitas de vínculo com facções. O caso do Exapromo Costa ilustra esse cenário: a equipe, antes chamada Fijalan, apareceu em investigações sobre um caso de lavagem de dinheiro atribuído a Adolfo Macías, o Fito, líder da facção “Los Choneros”.
Essas redes criminosas se fortaleceram em um país que vive uma deterioração acelerada da segurança pública. Antes considerado estável, o Equador se tornou corredor de cartéis que disputam pontos estratégicos e rotas de exportação de drogas.
A taxa de homicídios, que era baixa até meados da década passada, disparou. Explosões em pontes, carro-bomba em Guayaquil e confrontos armados em áreas urbanas mostram o avanço das facções sobre o cotidiano da população.
Porém, a cada novo relato, cresce a percepção de que o esporte se tornou um terreno atravessado por interesses ilegais, disputas políticas e tensões sociais. Enquanto o país tenta retomar algum equilíbrio, os atletas seguem como o elo mais exposto dessa cadeia.
Fotos/Vídeo: Reproduções









