Dezenove terroristas da Al-Qaeda sequestraram 4 aviões comerciais com passageiros e colidiram intencionalmente cada um deles em alvos específicos.
Era uma manhã de céu azul, o relógio marcava 08h46 daquele 11 de setembro de 2001, quando o voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do World Trade Center, em Nova York. 20 minutos depois, às 09h03, outro avião, o voo 175 da American Airlines, chocou-se com a torre sul. Naquele momento, não apenas os EUA já sabiam que aquilo não se tratava de acidentes, mas sim, de algo terrivelmente planejado.
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Cerca de uma hora após, o símbolo do poder econômico norte-americano se transformava em ruínas, ao vivo, por meio de canais de televisão do mundo inteiro.

A torre sul, segunda a ser atingida, foi a primeira a desabar, exatamente às 09h59. A torre norte foi ao chão às 10h28. As cenas de horror estão gravadas não só nas matérias jornalísticas da época, como nas câmeras de segurança espalhadas na região, como na mente de quem, mesmo de longe, acompanhou as chocantes imagens de pessoas se jogando de andares inalcançáveis pelos socorristas que nada podiam fazer para salvá-las.

Ao todo, 2.753 pessoas morreram, números apontam três vezes mais, entre elas, 343 bombeiros, 23 policiais e 37 oficiais da autoridade portuária.
No Pentágono, em Washington, coração da Defesa Americana, outras 184 pessoas morreram após o voo 177 da American Airlines atingir o prédio.

Na Pensilvânia, heróis anônimos reagiram aos sequestradores e evitaram que o voo 93, da United Airlines, que seguia rumo à capital, atingisse outro alvo. Mais de 40 pessoas, entre passageiros e tribulantes, morreram.
Quase três mil pessoas morreram durante os ataques, incluindo os 227 civis e os 19 sequestradores a bordo dos aviões. A esmagadora maioria das vítimas eram civis, incluindo cidadãos de mais de 70 países, além disso, há pelo menos um óbito secundário — uma pessoa foi descartada da contagem por um médico legista, pois teria sido morta por uma doença pulmonar devido à exposição à poeira do colapso do World Trade Center.

Os Estados Unidos responderam aos ataques com o lançamento da Guerra ao Terror: Militares invadiram o Afeganistão para derrubar o Talibã, que abrigou os terroristas da Al-Qaeda. Os norte-americanos também aprovaram o USA PATRIOT Act, um decreto assinado por pelo então presidente George G. Busch, em 26 de outubro. Muitos outros países também reforçaram a sua legislação antiterorismo e ampliaram os poderes de aplicação da lei. Algumas bolsas de valores estadunidenses ficaram fechadas no resto da semana seguinte ao ataque e registraram enormes prejuízos ao reabrir, especialmente nas indústrias aérea e de seguro. O desaparecimento de bilhões de dólares em escritórios destruídos causou sérios danos à economia de Lower Manhattan, em Nova Iorque.
Os danos no Pentágono foram reparados em um ano, e o Memorial do Pentágono foi construído ao lado do prédio. O processo de reconstrução foi iniciado no local do World Trade Center. Em 2006, uma nova torre de escritórios foi concluída no local, o World Trade Center 7. Mais três edifícios, a torre One World Trade Center, o Three World Trade Center e o Four World Trade Center foram construídos no local das antigas Torres Gêmeas: A torre One World Trade Center é um dos arranha-céus mais altos da América do Norte, com 541 metros de altura, além de um memorial às vítimas dos ataques já concluído. O Memorial Nacional do Voo 93, começou a ser construído em 8 de novembro de 2009 e inaugurado em setembro de 2018.

OS QUATRO VOOS:
Voo 11 da América Airlines: deixou o Aeroporto de Boston às 07h59min com rota para Los Angeles e uma tripulação de 11 membros e outros 76 passageiros, não incluindo os cinco sequestradores. Os terroristas colidiram o avião contra a Torre Norte do World Trade Center às 08h46min;
Voo 175 da United Airlines: deixou o Aeroporto de Boston às 08h14min em rota para Los Angeles com uma tripulação de nove membros e 51 passageiros, sem incluir os cinco sequestradores. Os terroristas colidiram o avião contra a Torre Sul do World Trade Center às 09h03min;
Voo 77 da América Airlines: deixou o Aeroporto Iternacional de Washington Dulles, na Virgínia às 08h20min em rota para Los Angeles com uma tripulação de seis membros e outros 53 passageiros, não incluindo cinco sequestradores. Os terroristas colidiram o avião contra o Pentágono às 09h37min;
Voo 93 da United Airlines: deixou o Aeroporto Internacional de Newark às 08h42min em rota para São Francisco, com uma tripulação de sete membros e outros 33 passageiros, não incluindo os quatro sequestradores. Depois que os passageiros se rebelaram, os terroristas derrubaram o avião no chão, perto de Shanksville, na Pensilvânia às 10h03min.

Em setembro de 2002, em uma entrevista realizada para o documentarista Yosri Fouda, um jornalista da Al Jazeera, Khalid Shikh Mohammed, junto com Ramzi Binalshibh, afirmou que o quarto avião sequestrado do voo 93 estava se dirigindo para o Capitólio dos Estados Unidos e não para a Casa Branca. Eles ainda afirmaram que a al-Qaeda inicialmente tinha planejado fazer com que os aviões sequestrados atingissem instalações nucleares em vez das torres do World Trade Center e o Pentágono, mas foi decidido não atacar as centrais nucleares “por ora” por causa de temores de que os ataques poderiam “sair de controle”.
Durante o sequestro dos aviões, os terroristas usaram armas brancas para esfaquear e matar os pilotos das aeronaves, os comissários de voo e os passageiros. Relatórios feitos com as chamadas telefônicas vindas dos avião indicaram que facas foram usadas pelos sequestradores para ferir atendentes e, em ao menos um caso, um passageiro, durante dois dos sequestros. Alguns passageiros foram capazes de fazer ligações, usando o serviço de telefone da cabine e celulares, e fornecer detalhes, inclusive de que vários dos sequestradores que estavam a bordo de cada avião tinham usado sprays químicos contra a tripulação, como gás lacrimogênio ou spray de pimenta, e que algumas pessoas a bordo tinha sido esfaqueadas.
A Comissão do 11 de setembro estabeleceu que dois dos sequestradores tinham comprado recentemente ferramentas manuais multi-funções da marca Leatherman. Uma aeromoça do voo 11, um passageiro do voo 175 e os passageiros do voo 93 mencionaram que os sequestradores tinham bombas, mas um dos passageiros também mencionou que achava que as bombas eram falsas. Nenhum vestígio de explosivos foram encontrados nos locais dos incidentes e a Comissão do 11/09 concluiu que as bombas eram provavelmente falsas.
No voo 93 da United Airlines as gravações da caixa preta revelaram que a tripulação e os passageiros tentaram assumir o controle do avião dos sequestradores depois de ficarem sabendo, através de chamadas telefônicas, que outros aviões sequestrados foram jogados contra edifícios na manhã daquele dia. De acordo com a transcrição das gravações do voo 93, um dos sequestradores deu a ordem para alterar a rota do avião, uma vez que tinha ficado evidente que eles iriam perder o controle do avião para os passageiros. Logo depois a aeronave caiu em um campo perto de Shaksville, Condado de Somerset, Pensilvânia, às 10h03, hora local (14h03 UTC). Khalid Sheikh Mohammed, o organizador dos atentados, mencionou durante a entrevista que o alvo do Voo 93 era o Capitólio dos Estados Unidos, que foi dado o nome-código “Faculdade de Direito”.
VÍTIMAS
Dois bombeiros nova-iorquinos em meio aos destroços causados pelo ataque.
Houve um total de 2 996 mortes, incluindo os 19 sequestradores e as 2 977 vítimas. As vítimas foram distribuídas da seguinte forma: 246 nos quatro aviões (onde não houve sobreviventes), 2606 na cidade de Nova York e 125 no Pentágono. Todas as mortes ocorridas foram de civis, exceto por 55 militares atingidos no Pentágono.

Em 2007, o escritório examinador médico da cidade de Nova Iorque divulgou o número oficial de mortos do 11 de setembro, adicionando a morte de Felicia Dunn-Jones. Dunn-Jones faleceu cinco meses após o 11/09 devido a uma doença pulmonar associada à exposição à poeira durante o colapso do World Trade Center. Heyward Leon, que morreu de linfoma em 2008, foi adicionado ao número oficial de mortes em 2009.
O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) estimou que cerca de 17 400 civis estavam no complexo do World Trade Center no momento dos ataques, enquanto as contas da Autoridade Portuária de Nova Iorque sugerem que 14.154 pessoas estavam nas Torres Gêmeas às 08h45min. A grande maioria das pessoas abaixo da zona de impacto evacuaram os edifícios com segurança, com dezoito pessoas que estavam na zona de impacto na torre sul, e um número de pessoas que estava acima da zona de impacto que, evidentemente, usaram a escadaria intacta na Torre Sul. Pelo menos 1.366 pessoas morreram, pois estavam no andar do impacto da Torre Norte ou em andares superiores, e pelo menos 618 na Torre Sul, onde a evacuação tinha começado antes do segundo impacto. Assim, dos 2 753 mortos no WTC, 1 950 estavam nos andares atingidos pelas aeronaves ou acima deles.
Dois homens ajudando uma mulher ferida durante os ataques.
De acordo com o relatório da comissão centenas foram mortos instantaneamente com o impacto, enquanto os demais ficaram presos e morreram após o colapso da torre. Pelo menos 200 pessoas pularam dos edifícios para a morte (como mostrado na foto “the falling man”), caindo nas ruas e telhados de edifícios adjacentes, centenas de metros abaixo. Alguns dos ocupantes de cada torre, e que estavam acima do ponto de impacto, subiram em direção ao teto, na esperança de um resgate por helicóptero, mas as portas de acesso ao telhado estavam bloqueadas. Não existia qualquer plano de resgate de helicóptero e, em 11 de setembro, a fumaça e calor intenso teria impedido tais aeronaves de realizarem salvamentos.
Um total de 411 trabalhadores de emergência que responderam aos chamados de socorro morreram quando tentavam resgatar as pessoas e apagar os incêndios. O Corpo de Bombeiros da cidade de Nova York (FDNY) perdeu 341 bombeiros e dois paramédicos. O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) perdeu 23 funcionários. O Departamento de Polícia da Autoridade Portuária perdeu 37 oficiais, e 8 EMTs adicionais e paramédicos de unidades privadas de serviços de emergência foram mortos.

A Cantor Fitzgerald L.P., um banco de investimento nos pisos 101a–105a do World Trade Center 1, perdeu 658 funcionários, muito mais do que qualquer outra empresa. A Marsh Inc., localizada imediatamente abaixo da Cantor Fitzgerald nos pisos 93–101 (o local de impacto do voo 11) perdeu 355 funcionários, e 175 funcionários da Aon Corporation foram mortos.
Depois de Nova York, Nova Jersey foi o Estado mais atingido, com a cidade de Hoboken ostentando a maioria das mortes. Mais de noventa países perderam cidadãos nos ataques ao World Trade Center (três brasileiros) e (cinco portugueses).
Semanas após o ataque, o número de vidas perdidas foi estimado em mais de seis mil. A cidade de Nova Iorque só foi capaz de identificar os restos de cerca de 1 600 das vítimas no World Trade Center, ficando sem identificação mais de 1 100. O escritório legista também recolheu cerca de dez mil ossos não identificados e fragmentos de tecidos humanos que não puderam ser combinados para a lista de mortos. Em 23 de fevereiro de 2005, as autoridades legistas reconheceram a limitação tecnológica na época, para avançar nos trabalhos de identificação.
Fragmentos ósseos ainda estavam sendo encontrados em 2006, quando os trabalhadores estavam se preparando para demolir Deutsche Bank Building, também danificado. Essa operação foi concluída em 2007. Em 2 de abril de 2010 uma equipe de especialistas em antropologia forense e arqueologia começou a procurar por restos humanos, artefatos humanos e objetos pessoais no aterro sanitário de Fresh Kills, em Staten Island. A operação foi concluída em junho de 2010, com 72 restos humanos encontrados, elevando o total de restos humanos encontrados para 1845. As identidades de 1629 das 2 753 vítimas foram identificadas. Os perfis de DNA. na tentativa de identificar as vítimas adicionais, são permanentes. Em agosto de 2011, 1 631 vítimas foram identificadas, enquanto 1 122 (41%) das vítimas permaneceram não identificadas. Em julho de 2011, uma equipe de cientistas do instituto médico da cidade tentou novamente identificar os restos mortais, na esperança de que a tecnologia melhor desenvolvida lhes permitisse identificar outras vítimas.

DANOS
Ruínas do complexo do World Trade Center após o colapso das torres.Local do World Trade Center (Ground Zro) com uma sobreposição mostrando os locais originais do complexo de edifícios destruídos.
O Pentágono parcilalmente destruído após a colisão do avião.
Junto com os 110 andares das Torres Gêmeas, vários edifícios ao redor foram destruídos ou seriamente danificados, incluindo os edifícios 3 a 7 do complexo do World Trade e a Igreja Ortodoxa Grega de São Nicolau.] A Torre Norte, a Torre Sul, o Marriott Hotel WTC-3 e o WCT-7 foram completamente destruídos. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos da América. No WTC-6, WTC-4, WTC-5 e duas passarelas de pedestres que ligavam os edifícios foram severamente danificadas. O Deutsche Bank Building foi parcialmente danificado e mais tarde demolido. Os dois edifícios do complexo vizinho do World Financil Center também sofreram danos.
O Deutsche Bank Building, na Liberty Street do complexo do World Trade Center, foi mais tarde condenado por causa das condições tóxicas no interior da torre de escritórios e foi desconstruído. O Fiterman Hall, do Colégio Comunitário do Borough de Manhattan, na 30 West Broadway, foi condenado devido aos danos nos ataques e está sendo reconstruído. Outros edifícios vizinhos, como o 90 West Street e o Edifício Verizon sofreram grandes danos, mas foram restaurados. Os edifícios do World Financial Center, o One Liberty Plaza, o Millenium Hilton e o 90 Church Street tiveram danos moderados e já foram restaurados. Os equipamentos de telecomunicações no topo da Torre Norte também foram destruídos, mas as estações de mídia rapidamente foram capazes de redirecionar os seus sinais e retomar as transmissões.
O Pentágono foi severamente danificado pelo impacto do voo 77 da América Airlines e por incêndios subsequentes, causando o desabamento de uma das seções do edifício. Ao se aproximar do Pentágono, as asas do avião derrubaram postes de luz e seu motor direito quebrou um gerador antes de cair no lado ocidental do edifício, matando todos os 53 passageiros, os cinco sequestradores e 6 tripulantes. O avião atingiu o Pentágono no nível do primeiro andar. A parte dianteira da fuselagem desintegrou-se durante o impacto, enquanto as seções centrais e a cauda mantiveram-se em movimento por uma fração de segundo. Detritos provenientes da cauda penetraram mais fundo no edifício, quebrando por 94 metros três dos cinco anéis mais externos do edifício.

RESGATE E RECUPERAÇÃO
Um Bombeiro de Nova York solicita mais dez socorrista para trabalharem junto aos escombros do World Trade Center.
O Corpo de Bombeiros da Cidade de Nova York (FDNY) rapidamente mandou 200 unidades (metade do departamento) para o local dos ataques, cujos esforços foram completados por vários Bombeiros de folga e paramédicoss. O Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (NYPD) enviou Unidades de Serviço de Emergência (ESU) e outros policiais, juntamente com a implantação de sua unidade de aviação. Uma vez em cena, o FDNY, NYPD e policiais da Autoridade Portuária não coordenaram os esforços e realizaram buscas redundantes por vítimas civis.
Com as condições deterioradas, a unidade de aviação da NYPD retransmitia informações aos comandantes dos bombeiros, que emitiam ordens para o seu pessoal evacuar as torres, de modo que a maioria dos oficiais estava em condições de segurança antes de evacuar os edifícios que desmoronaram. Com postos de comando criados separadamente e comunicações de rádio incompatíveis entre os organismos, os avisos não foram repassados aos comandantes do FDNY.
Após a primeira torre desabar os comandantes dos bombeiros enviaram os avisos de evacuação, no entanto, devido a dificuldades técnicas com o mau funcionamento do sistema repetidor de rádio, os bombeiros não ouviram muitas das ordens de evacuação. Os atendentes do número de emergência também receberam informações de chamadas que não foram repassadas aos comandantes no local. Poucas horas depois do ataque uma importante operação de busca e resgate foi lançada. Depois de meses de operações, o local do World Trade Center foi limpo no final de maio de 2002.
Após mais esse capítulo do terror, milhares de inocentes ceifadas, os EUA e o mundo, além do direito, têm a obrigação de combater o terrorismo.
Foto: Reprodução









