Vítima já havia sido atingida por dois disparos antes de ser algemada.
Um vídeo gravado por uma pessoa anônima traz à luz a verdade sobre a morte de um jovem durante uma violenta ação da Brigada Militar (Polícia Militar) em Bom Jesus, no Rio Grande do Sul.
As imagens mostram o momento em que um dos militares efetua dois disparos e executa o rapaz que já se encontrava algemado. Na época, baseado no depoimento dos policiais, o caso foi dado como: “morte decorrente de confronto).
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Agora, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) reabriu a investigação sobre a morte de Geovane Matias Maciel, de 19 anos, baleado por um policial militar em Bom Jesus no dia 4 de março. O caso, inicialmente registrado como morte decorrente de confronto, passou a ser tratado como homicídio após o Ministério Público receber, em junho, um vídeo que contradiz a versão oficial dos envolvidos.
A gravação mostra Geovane sendo retirado de um veículo por quatro policiais militares, com as mãos já algemadas para trás, quando é alvejado por dois disparos, efetuados por um dos agentes. As imagens, que indicam uma possível execução, foram encaminhadas ao Departamento de Criminalística para perícia.
Diante do novo elemento, a Polícia Civil instaurou um novo inquérito, sob responsabilidade da Delegacia de Vacaria, e solicitou a prisão preventiva do policial autor dos disparos. A medida, contudo, ainda não havia sido apreciada pela Justiça até a publicação desta reportagem.
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Geovane possuía mandado de prisão preventiva por violência doméstica, sendo suspeito de incendiar a residência da ex-companheira dias antes do crime. Também era investigado por outros delitos, como furto e roubo, incluindo um latrocínio cometido quando ainda era adolescente.
O primeiro inquérito havia sido concluído com base no depoimento dos quatro PMs envolvidos e de uma testemunha, que alegaram que Geovane teria resistido à prisão e tentado agredir um dos policiais com uma faca. A nova evidência, entretanto, aponta para uma conduta incompatível com legítima defesa.
Os quatro policiais foram afastados de suas funções pela Brigada Militar, e o caso também está sendo apurado por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). A Polícia Civil destaca que possui atribuição legal para investigar crimes dolosos contra a vida praticados por agentes do Estado no exercício da função.
Segundo o delegado Carlos Alberto Defaveri, Geovane era procurado por incêndio na casa da companheira, furtos e envio de mensagens ameaçadoras. Os policiais militares souberam que ele estaria embarcando em um carro por aplicativo e decidiram fazer a abordagem. Os agentes afirmaram em depoimento que o jovem estava armado com uma faca e teria reagido, justificando os disparos iniciais, que teriam ocorrido em legítima defesa.
Entretanto, o Ministério Público do Rio Grande do Sul recebeu um vídeo que mostra que Geovane já havia sido baleado antes de ser algemado, e mesmo assim foi atingido mais duas vezes enquanto estava detido e imobilizado no chão. Com isso, a polícia solicitou a prisão preventiva do policial que efetuou os tiros, pois os últimos disparos não configuram uma ação legítima. A investigação busca esclarecer se houve excesso por parte dos agentes.
A Brigada Militar informou que afastou os policiais envolvidos e instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos, que está sob responsabilidade da Corregedoria-Geral da corporação.
Recentemente, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos agentes, e a prisão preventiva aguarda decisão judicial. A corporação reforçou seu compromisso com a proteção dos direitos e a apuração rigorosa de eventuais desvios de conduta.
O novo inquérito deve ser concluído em até 30 dias. A Justiça de Bom Jesus já foi comunicada da reclassificação do caso e acompanha o andamento das investigações.
Foto/Vídeo: Reprodução – Informações: Maicon Schlosser









